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Campanha alerta para danos das queimadas em período de grande incidência de incêndios florestais

04 de agosto de 2022

Os incêndios em zonas rurais são um problema em todo o país e costumam aumentar a partir da metade do ano por causa do período de estiagem, especialmente no cerrado. Por isso, a SPIC Brasil iniciou sua campanha anual de conscientização para os perigos e prevenção das queimadas. A empresa opera a Usina Hidrelétrica São Simão (GO), cujo reservatório abrange 13 municípios de Goiás e Minas Gerais.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que o número de focos de queimadas no bioma cerrado começa a aumentar entre junho e julho e atingem o pico nos meses de agosto e setembro. No ano passado, o INPE identificou mais de 46 mil focos de incêndio neste período de quatro meses no Centro-Oeste. Em agosto de 2021, o sistema de satélites registrou mais de 22,7 mil focos de queimadas na região, contra uma média de 500 do início do ano (fonte).

Com a campanha, a intenção da SPIC Brasil é promover educação ambiental e manter o diálogo com a população, levando informações relevantes para aumentar o engajamento no combate aos incêndios florestais, que muitas vezes ocorrem por práticas incorretas no tratamento do solo e descarte de lixo e até mesmo acidentalmente por falta de orientação.

“É urgente que todos se conscientizem para a necessidade de se mudar hábitos perigosos e que se engajem com a campanha, que estamos renovando esse ano e ampliando alcance das mensagens para toda nossa região de abrangência em Minas Gerais e Goiás”, alerta Paulo Trípode, Gerente de Operações Hidrelétricas da SPIC Brasil.

Alerta para o campo

Por ser naturalmente seco, o cerrado brasileiro está no topo da lista dos biomas com maior área queimada do Brasil em 2021. É onde acontecem os incêndios de alto impacto, que têm maior intensidade, frequência e resultam em maior área queimada.

Por esse motivo, as equipes do Corpo de Bombeiros se preparam para um período de maior demanda. Em Minas Gerais, a corporação registra um número maior de atendimentos de junho a setembro, chegando a mais de 5.400 registros em agosto de 2021.

Em Goiás, a corporação lançou a Operação Cerrado Vivo no combate a focos de incêndio no mato, pastagem e nos ambientes de cerrado e caatinga do Estado. Líderes da operação alertam que as pessoas do campo estão proibidas de usar o fogo para limpar pastagem e queimar lixo neste período de seca. Além disso, os agricultores precisam manter os aceiros de suas propriedades e estes devem ser feitos com maquinário, nunca com fogo. Equipamentos básicos de combate a incêndio florestais, como sopradores e abafadores, também devem fazer parte da lista de itens de quem trabalha no campo.

A corporação de Goiás ainda recomenda que o produtor rural procure seu sindicato rural e o Corpo de Bombeiros para fazer treinamento básico contra princípios de incêndio.

Prejuízo é de todos

A disseminação das queimadas é prejudicial para sociedade, meio ambiente e até para os agricultores que utilizam o fogo como método de preparo da terra. Além disso, queimar a vegetação encarece a produção agrícola ao deixar a terra mais fraca/ infértil

As queimadas agrícolas reduzem a retenção de água e a fertilidade do solo. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a perda de nutrientes pode chegar a 90%, passando a exigir mais investimentos em fertilizantes e sistemas de irrigação para compensar. A prática também é considerada crime ambiental, que pode render multa de até R$ 50 milhões.

Nas cidades, as queimadas se somam à poluição provocada pela queima de combustíveis fósseis e neste período de seca a fumaça e fuligem pioram a saúde respiratória e cardíaca das pessoas. Os focos de incêndio também trazem riscos às operações de serviço à população. No caso da UHE São Simão, as queimadas afetam a área de preservação permanente (APP), do reservatório .
“As consequências mais graves das queimadas indiscriminadas são a piora da qualidade do ar, o aumento dos problemas respiratórios, além da agressão à fauna e flora existentes. Mais do que nunca, precisamos da colaboração de todos para proteger o ecossistema e a nossa saúde. É uma situação que exige união. Devemos estar muito atentos e denunciar qualquer irregularidade”, aponta Paulo Trípode.

Monitoramento
Provocar incêndio ambiental é crime, cuja gravidade pode levar a detenção de até quatro anos, além de multa. Caso o cidadão aviste um foco de incêndio, deve imediatamente ligar para o telefone 193 (Bombeiros).

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